
O trio inglês fez o seu segundo show no Brasil para aproximadamente 3500 pessoas. Público até pequeno, já que cabiam 5 mil fãs no HSBC Brasil. Mas era de se esperar, o grupo mal toca nas rádios brasileiras, as ditas “rock” colocam uma ou outra canção da banda em suas programações e é difícil falar que eles tenham um hit gigantesco, apesar de contar com várias canções maravilhosas extraídas de seus três últimos discos, os álbuns Black holes and revelations (2006), Absolution (2003) e Origin of simmetry (2001), quase todas cantadas em uníssono pelos fãs. Antes que alguém venha me pentelhar, eu sei que a banda tem mais um disco, Showbiz, lançado em 1999, mas o trabalho foi totalmente deixado de lado pelo grupo. A expectativa pelo show, tanto por parte do público, mas também pela imprensa era grande. Tão grande que dava um certo medo.
Ir a um show cheio de expectativas é um perigo, uma pequena bola fora da banda, produção, ou até mesmo do público, pode transformar o que seria um show sensacional em um desastre. Confesso que, por mais vontade que eu tinha em assistir a um show do Muse - o que já estava causando transtornos aqui em casa, já que nas últimas semanas eu quase só ouvia a banda no carro, no computador, no aparelho de som -, havia um grande receio de que o “show mais esperado do ano”, pelo menos até agora, virasse uma decepção e a apresentação de Jay Vaquer - que foi expulso do palco no Rio de Janeiro -, encarregado do show de abertura, só me assustou um pouco mais. Mas como Muse não é Vaquer - GRAÇAS A DEUS - a esperança por um bom show ainda dominava a minha mente. E sim, foi um bom show, antes que algum fã desavisado interprete erroneamente o que escrevi e o que vai aparecer nas linhas abaixo.
Fazia tempo que eu não via uma mistura de “tribos” tão grande como aconteceu no show dos ingleses. Desde cabeludos com camisetas do Iron, uma meia dúzia de moicanos, emos com suas franjas típicas, maurícios e patrícias (ainda existe isso?) e aquele povo indie que você, normalmente, encontra apenas nas baladinhas que sobem a Rua Augusta em São Paulo, e, claro, pessoas normais, antes que digam que estou rotulando os fãs do Muse. Todos unidos por uma única coisa: Muse, o que aumenta, ainda mais, a responsabilidade do trio vindo da cidade de Devon, afinal, não é qualquer banda que consegue juntar esse povo todo, normalmente avesso ao som que a outra tribo ouve. Junte-se a isso a leve megalomania dos arranjos, entre o pop, metal e progressivo, então, realmente teríamos a melhor apresentação do ano, certo? Quase isso, pequenos detalhes - pequenos mesmo -, principalmente quanto ao som do HSBC Brasil, baixo e embolado durante parte do show, e a guitarra de Matt Bellamy, alguns decibéis mais alta que a própria voz do vocalista, além de terem optado por encerrar a apresentação com “Take a bow” - sim, maravilhosa, mas, na humilde opinião de um fã, eu mesmo, fraca como música de encerramento -, tiraram um pouco do brilho do show.
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