O navegador solitário

Zach Condon tem apenas 21 anos e já é considerado uma das mentes brilhantes do novo pop de vanguarda norte-americano com seu projeto Beirut, que lançou em 2006 o soberbo Gulag Orkestar, um álbum que levava o folk alternative punk de gente como Decemberists e Neutral Milk Hotel por um passeio pelos bálcãs e o chocava com a música cigana de gente como Emir Kusturica e Goran Bregovic alcançando um resultado arrebatador. The flying club cup, segundo álbum do Beirut, surge para mostrar que a grandiosidade do álbum de estréia não foi sorte de principiante.

Em seu segundo lançamento, Zach Condon permanece perambulando pela musicalidade impar de uma Europa perdida na memória, mas desce dos Bálcãs para a Europa ocidental, e senta-se para admirar uma corrida de balões de ar ocorrida na Paris do início do século 20. E dá-lhe chanson francesa entoada entusiasmadamente em formato novo pop – a influência central do álbum é a obra de Jacques Brel, mas namora também a classe do Magnetic Fields, projeto do multi-instruementista Stephin Merritt, sem abandonar a sonoridade cigana da estréia.

Viola, acordeom, bandolim, trompetes, flugelhorn e orgão criam um clima tão rico de sons e imagens que é difícil não se apaixonar e/ou não se perder por The flying club cup. Da voz de Zach Condon escorre uma poesia melancólica que comove enquanto conta a história de uma paixão proibida de um tempo qualquer (existem paixões proibidas hoje em dia?) que pode causar o enfrentamento de duas grandes famílias (nem Montechios nem Capuletos, mas poderiam ser estes os personagens) e colocar a perder a organização de uma corrida de balões.

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